Divórcio – A Salvação dos Casamentos Infelizes

“Há muitos anos, no Porto, depois de ouvir uma palestra de Sofia Mello Breyner no Colégio do Rosário onde ela foi aluna, ficámos a dialogar e alguém lhe perguntou porque escolhera a escrita. Respondeu que foi a única possibilidade, no seu tempo e no seu meio, de ultrapassar o âmbito de dona de casa, esposa e mãe de filhos. Bastava um lápis e um papel.” – Maria Humberta Santos

“Divórcio já, filhos ilegítimos não” –Cartaz do Movimento Nacional Pró-Divórcio de 1974

Quando decidi escrever esta crónica, a primeira imagem que me veio à cabeça foi aquela que aparece no meu manual de História do 9º ano, com a seguinte frase “Deus, Pátria e Família”. Na imagem está representa um homem, chefe de família que regressa a casa depois de um dia de trabalho, a mulher a preparar o jantar e os dois filhos. Uma imagem de propaganda do Estado Novo, representada como ideal.

Naquele tempo (entenda-se o regime de Salazar), o que Deus unia ninguém podia mesmo separar: casais que contraíssem matrimónio pela igreja, a grande maioria, ficariam juntos para sempre, independentemente da sua vontade. A possibilidade de divórcio pura e simplesmente não existia. Caros leitores, hoje é dia 15 de Fevereiro e há precisamente 44 anos atrás, o Estado Português, reconhecia o direito aos católicos casados, de se divorciarem, através da assinatura de um protocolo adicional à Concordata de 1940, com o Vaticano.

Estava-se em 1910 e vivia-se uma viragem na História do país: a implantação da República. Entre muitas mudanças de ordem social e política, o divórcio foi uma das medidas implementadas pelo então ministro da Justiça, Afonso Costa. Portugal foi o segundo país europeu a consagrar esta medida, a seguir à Noruega. A lei do divórcio foi promulgada a 3 de Novembro de 1910, como resposta ao problema dos filhos que nasciam das novas relações, e que, à luz da lei eram considerados ilegítimos. Os conjugues podiam requerer ao tribunal, a separação judicial de pessoas e bens ou o divórcio; os requisitos desse pedido assentavam num casamento que durasse há três anos e a idade mínima de 25 anos dos conjugues; exigia-se a formalização prévia de um acordo acerca do poder paternal e dos alimentos devidos aos filhos; o juiz concedia um divórcio provisório, que se convertia em divórcio definitivo passado um ano sobre a primeira decisão. O divórcio litigioso podia ser requerido sem que tivesse decorrido um período de duração do casamento, desde que ficasse provado o fundamento invocado.  A possibilidade de duas pessoas se divorciarem por mútuo acordo surgiu também em nome da liberalização dos costumes. Mas não durou muito tempo. Em 1926, com a queda da Primeira República, substituída pela Ditadura Militar e, subsequentemente pelo Estado Novo em 1933, Salazar, então Presidente do Conselho de Ministros, abafou os ventos de emancipação e elevou a família a símbolo de estabilidade. Na sequência desta alteração, surgiu a necessidade de reestabelecer as relações entre a Igreja e o Estado depois da Primeira República ter declarado a separação destas mesmas duas entidades. A Concordata de 1940 foi um documento reconhecido de direito internacional e o seu conteúdo estendeu-se ao domínio temporal e espiritual. O Artigo 24º dizia assim:

Em harmonia com as propriedades essenciais do casamento católico, entende-se que, pelo próprio facto da celebração do casamento canónico, os cônjugues renunciarão à faculdade civil de requererem o divórcio, que por isso não poderá ser aplicado pelos tribunais civis aos casamentos católicos.”

A separação judicial de pessoas e bens, que anulava deveres como o da coabitação dos cônjuges mas mantém o da fidelidade foi a porta que ficou aberta aos que, querendo divorciar-se, deixaram de o poder fazer.

Alguns terão esperado mais de três décadas para ver resolvido o seu divórcio, pois esta situação de indissolubilidade do casamento religioso perdurou na sociedade portuguesa até 1974. A proibição do divórcio esteve indelevelmente ligada àquilo que foi a condição da mulher durante este período. O ideal da mulher do Estado Novo projectou-se na imagem de Maria, mãe de Jesus, um modelo de mãe, esposa e dona de casa recatada. Foi criada uma hierarquia de género dentro do casamento que em nada beneficiou a mulher. Esta não deveria trabalhar fora de casa pois, se o fizesse, esse segundo ordenado viria ameaçar o domínio masculino na família. As mulheres casadas não podiam exercer actividades como o comércio, viajar para fora do país nem administrar bens se não tivessem o consentimento dos maridos. Complementada por legislação nacional, ficou vedada a possibilidade de divórcio a todos os que celebrassem casamento canónico. Muitos foram, os argumentos construídos que pretenderam convencer a mulher da inevitabilidade do seu lugar. E as relações extraconjugais? Bem, se fossem praticadas pelo homem não eram consideradas graves. Na década de 50 não se levava muito a mal que os maridos, mesmo aqueles que eram bem casados, tivessem “recaídas” pois tal facto era considerado como parte da sua natureza. As mulheres deveriam esse comportamento masculino, sem grandes dramas, como se a traição do marido estivesse devidamente enquadrada. Quando a traição partia da mulher, o caso mudava de figura. O abandono ou expulsão de casa eram atitudes compreendidas socialmente, se o marido estivesse disposto a reconciliar-se com a esposa adúltera, até o podia fazer, mas preferencialmente depois de a humilhar publicamente.

Foram muitas as mulheres forçadas à submissão de género, à dependência económica e afetiva. Mas, contrariando aquilo quer era norma também foram muitas outras que durante a década de sessenta trabalhavam fora de casa, ou por aspiração pessoal ou por necessidade. Foi o caso da minha avó materna. Enquanto casada, dependeu inteiramente do meu avô que, garantia o rendimento familiar. Quando surgiram desentendimentos, o meu avô saiu de casa para não voltar. De repente a minha avó viu-se sozinha com duas filhas. Saiu da casa onde até então tinha vivido e mudou-se para um quarto alugado. Arregaçou as mangas e começou a trabalhar como doméstica. Não sabia ler nem escrever mas não foi isso que a impediu de assegurar o seu sustento e das filhas. Isto aconteceu em 1966 e, enquanto não foi alterada a Concordata, o seu estado civil tinha a seguinte designação: “casada, separada de pessoas e bens”. A minha avó teve de esperar dez anos para conseguir adquirir o estado de divorciada. Foi uma libertação quando o alcançou.  

O Código Civil de 1966 resumia assim no seu artigo 1790º (Casamentos indissolúveis por divórcio) no Código Civil que especificava:

Não podem dissolver-se por divórcio os casamentos católicos celebrados desde 01 de agosto de 1940, nem tão-pouco os casamentos civis quando, a partir dessa data, tenha sido celebrado o casamento católico entre os mesmos conjugues”

E no artigo 1587º:

A lei civil reconhece valor e eficácia de casamento ao matrimónio católico”

Isto estipulou que mesmo os casados apenas pelo civil deixavam de poder divorciar-se por mútuo consentimento. Também eliminou o divórcio litigioso.

Não podendo as pessoas refazer a vida legalmente, faziam-no irregularmente. Tornaram-se correntes as situações de união livre, que eram consideradas adulterinas em relação a uma das partes e, por vezes, em relação às duas. Uma das mais importantes consequências deste estado de coisas foi a situação dos filhos: se o pai era casado com outra mulher, não podia perfilhar abertamente os filhos nascidos de uma nova união, considerada irregular. Não tinha sobre eles poder paternal, eles não usavam o seu nome de família. Se era a mãe que estava no estado de união com outro homem, que não o verdadeiro pai dos seus filhos, a situação era ainda pior, porque esses filhos presumiam-se serem filhos do marido, facto que este podia contestar. Estas crianças acabam por ser registadas como filhos de pai incógnito.

Quando chegou a década de 70, chegaram também as aspirações de mudança. Antes do 25 de abril foi constituído o Movimento pró-divórcio que teve como objetivo sensibilizar os católicos para a necessidade de exigir a revogação da Concordata e restabelecer o direito ao divórcio. Em junho de 1974, este movimento promoveu um comício no Pavilhão dos Desportos em Lisboa onde foi exigida a “libertação dos presos da Concordata”. A este comício seguiram-se numerosas ações reivindicativas que conseguiram por fim os seus objetivos. Foi lançada uma campanha de recolha de assinaturas, tendo sido recolhidas mais de cem mil mas, apenas 51 mil foram entregues no Palácio de Belém ao Presidente António de Spínola. O governo português acabou por enviar uma delegação à Santa em 1975, que renegociou a Concordata, anulando a cláusula que impedia o divórcio para os católicos. O ministro da Justiça de então, Salgado Zenha juntamente com o Cardeal Giovanni Villot, Secretário de Estado do Vaticano, concordaram em alterar o artigo 24º da Concordata a 15 de fevereiro de 1975, tendo sido posteriormente publicado em Diário da República, no dia 27 de maio do mesmo ano, o seguinte texto:

Sujeito à lei do Estado no que concerne aos efeitos, o casamento católico passará, portanto, a poder ser dissolvido nos tribunais civis, nos mesmos termos e com os mesmos fundamentos com que pode ser dissolvido um casamento civil

Segundos dados do Instituto Nacional de Estatística, só em 1975, houve 1552 divórcios. O número triplicou em 1976 e quintuplicou em 1977. De acordo com os historiadores, foi um fenómeno que aconteceu pelo facto dos casais católicos separados terem de esperar pela alteração. Isto deixa-me a pensar e seguramente aos leitores…no número de pessoas (homens e mulheres) que ficaram amarrados por uma cláusula legalista. A Lei de 17 de maio de 1975 passou a permitir o divórcio e restabeleceu o divórcio por mútuo consentimento que figurou no início da legislação da Primeira República. Em 1977 as alterações ao Código Civil foram mais profundas, pois tinham como objetivo adequar à Constituição de 1976: desapareceram da lei as figuras jurídicas mais discriminatórias em relação à mulher como, a do chefe de família e, estabeleceu-se que todas as decisões respeitantes à família passariam pelo acordo de ambos os conjugues. . Em 1995, foi aprovado o novo Código do Registo Civil que permitiu que o divórcio por mútuo consentimento fosse requerido e decidido nas Conservatórias do Registo Civil, se o casal não tivesse filhos menores ou, se os tivesse, o exercício do poder paternal já se achasse judicialmente regulado. Em 1998 foi suprimido o prazo de duração do casamento (que era de três anos) para poder ser pedido o divórcio por mútuo consentimento. Em 2001 o processo de divórcio por mútuo consentimento passou a ser da competência exclusiva das conservatórias do registo civil.

Em 18 de maio de 2004, a Concordata foi totalmente reformulada, dando lugar a uma nova assinada entre o Vaticano e a República Portuguesa.

Atualmente, os divórcios processam-se nas Conservatórias do Registo Civil e os custos cobrados variam consoante o tipo de separação. Se a separação acontecer por mútuo acordo, o processo é célere, o valor não é tão elevado exceto se, existirem partilha de bens. Os divórcios litigiosos são mais morosos e mais dispendiosos.

Não nos deixemos enganar. Às vezes ouvimos comentários do género “Isto já não é como antigamente, quando as pessoas se casavam e faziam o casamento durar”. Os casamentos duravam mas como ficamos a saber, muitos à custa de sacrifício e sofrimento. Neste processo as mulheres foram as mais crucificadas (não quero elevar a tocha do feminismo mas a História e as pessoas que fizeram parte dela não mentem). Estudos sustentam e testemunhos de vida reiteram que o casamento durante o Estado Novo foi a pior forma de domesticação e subordinação das mulheres. Eu digo que o divórcio foi o seu grito de salvação apesar de que, para muitas este processo de “saída do armário” ter sido vivido por muitas mulheres com angústia. Vivermos em sociedade implica estarmos rodeados de construções sociais e, durante o Estado Novo, isso estava enraizadamente definido. Cada um aceitava o papel que lhe era atribuído e, a maioria das mulheres eram ensinadas a acreditar que depois da dependência dos pais transitariam para a dependência dos maridos. É legítimo hoje, assumir que a proibição do divórcio no Estado Novo ajudou a construir a imagem de casamentos/famílias felizes (viviam apenas na aparência das coisas).

Atualmente, o divórcio é algo considerado comum e, segundo estudos realizados, em cada cem casamentos ocorrem setenta divórcios. O que dificulta por vezes a sua consolidação é a atuação dos seus intervenientes ou seja, quando um dos conjugues não aceita a separação para além dos gastos financeiros que este tipo de situações acarreta também pode causar danos psicológicos que se arrastam por estarem dependentes da vontade pessoal. Aquelas que decidem dar este passo por mútuo consentimento também não é fácil. É toda uma vida projetada em objetivos e sonhos que se desfaz, que se encerra. Mas o fim também significa um recomeço. E esse recomeço faz com que olhemos para dentro de nós e percebamos quem queremos ser na vida que se segue daí para a frente.

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Luísa Todi – Ilustre Mezzosoprano Setubalense

Não posso começar esta crónica sem revelar previamente a minha completa ignorância por aquilo que é a ópera. Mas também não posso dizer que ao longo do meu crescimento não contactei com este género musical, ainda que de forma um tanto quanto coloquial. Os meus pais sempre gostaram de ouvir música, algo que eu também cultivei desde cedo como um interesse pessoal. A minha mãe sempre gostou de coleccionar discos de vinil e mais tarde CDs, entre os quais Pavarotti e Andrea Boccelli, tenores de ópera. Sendo os meus conhecimentos em relação a este género musical, relativamente escassos, propus-me por isso fazer uma pesquisa para também enquadrar os leitores sobre o tema que decidi trazer neste início de 2019.

Ópera” em italiano significa trabalho. Em latim, representa o plural de “opus”, ou seja obra. Surgiu no início do século XVII, em Itália, inspirada nas tragédias gregas. A primeira obra considerada uma ópera data aproximadamente do final do século XVI, em Florença, chamada de Dafne. Esta obra está actualmente desaparecida, e por isso, um trabalho posterior intitulado de Eurídice, datado de 1600, é a ópera que resiste até aos dias de hoje. De Itália, a ópera difundiu-se pela Europa, passando por França, Alemanha e Suíça, que lhe aplicaram diferentes camadas, mas sem alterar a sua base. Em Portugal, não existe um registo exacto de quando se terá começado a cantar ópera mas antes de 1755 existia um teatro em Lisboa onde se reproduzia este género mas que, foi destruído pelo terramoto. Só em 1793, é que foi inaugurado o Teatro Nacional São Carlos, com a ópera La Ballerina Amante, do compositor italiano Domenico Cimarosa. Nessa mesma altura, foi igualmente inaugurado o Teatro Nacional São João no Porto.

A ópera é um género artístico teatral que consiste numa composição dramática combinada com música instrumental e canto. Pode ter a presença de diálogo falado e os cantores podem ser acompanhados por uma orquestra sinfónica. Ao drama apresentado, juntam-se os elementos típicos do teatro como cenografia e vestuário. A letra da ópera, designada de libreto, é normalmente cantada em vez de falada. Os cantores são classificados de acordo com os seus timbres vocais:

– os homens em baixo, baixo-barítono, barítono, tenor e contratenor;

– as mulheres em contralto, mezzosoprano e soprano.

Agora, meus queridos leitores, feitas as apresentações de uma forma sintetizada (pelo menos tentei) da ópera, está na altura de conhecermos a mulher que faz jus ao título desta crónica.

A iniciativa de escrever sobre Luísa Todi, surgiu por acaso. Como é hábito, quando se aproxima a época natalícia, gosto de ir sempre ver as iluminações de natal. Mas em vez de Lisboa, escolhi Setúbal. E fiquei bastante agradada com o que encontrei. A zona da baixa setubalense está requalificada; espaços que outrora tinham sido encerrados e estavam vazios, foram reabertos com novos negócios (sobretudo casas gourmet e restaurantes) que trouxeram uma nova alma e vida ao coração de Setúbal. Depois de ter atravessado a praça do Bocage que estava repleta de bancas com vários artigos, observei o edifício dos Paços do Concelho e percepcionei que estava aberto ao público. Não me enganei e decidi conhecer o seu interior absolutamente esplendoroso. Ao entrar, deparei-me com um enorme busto feminino em mármore. Em baixo, tinha uma inscrição com o nome daquela que é considerada a maior cantora lírica da história portuguesa. E foi assim que nasceu a vontade de trazer à luz do dia a vida e percurso daquela que viria a ficar conhecida como a cantora lírica portuguesa mais conhecida do seu tempo.

A 9 de Janeiro de 1753 nasceu em Setúbal, Luísa Rosa de Aguiar. Filha de Ana Joaquina de Almeida e do mestre de música Manuel José de Aguiar, cedo mostrou que o talento para a música lhe corria nas veias. Através de um contrato firmado em 1763, Luísa e as irmãs passaram a integrar a companhia do Teatro do Bairro Alto, tendo a família estabelecido residência desde essa altura, em Lisboa. Com apenas catorze anos estreou-se no teatro musical ao declamar numa peça de Moliére (dramaturgo francês do século XVII). Aos dezasseis anos casou com Francesco Todi, um violinista italiano, natural de Nápoles e foi pela mão do mesmo que, Luísa aperfeiçoou os seus dotes vocais através de aulas leccionadas pelo compositor David Perez, que se encontrava ao serviço da Corte Portuguesa. Em 28 de Julho de 1769, o casal mudou-se para o Porto, quando Luísa estabeleceu um contrato com o Teatro do Corpo da Guarda. Na cidade invicta permaneceu de 1771 a 1776, tendo a sua última apresentação em território português, sido em 1775.

Os Todi saíram de Portugal no ano de 1777, na sequência de pedidos que chegaram de Espanha, para Luísa cantar em recitais privados, algo que passou a ocorrer com relativa frequência em outros países vizinhos. A sua estreia pública fora da península ibérica, sucedeu em Londres, no King’s Theatre em Novembro de 1777 e, digamos que foi a partir desse momento que Luísa viu a sua projecção artística catapultada para o resto do mundo. Durante os vinte e dois anos seguintes, a cantora construiu uma brilhante carreira internacional, brilhando em inúmeras cidades estrangeiras cosmopolitas como Londres (já mencionado), Paris, Turim, Potsdam, Viena, Bona, Veneza, Pádua, Bergamo e São Petersburgo, onde esteve ao serviço da Imperatriz Catarina II da Rússia.

Ao longo de toda a sua trajectória profissional e por ter tido residência em várias cidades da Europa devido às suas actuações, foi mãe de seis filhos, todos eles nascidos em locais diferentes: João (Porto), Ana José (Porto), Maria Clara (Guimarães), Francisco (Aranjuez, Espanha), Adelaide (Versalhes, França) e Leopoldo (Turim, Itália)

Antes de concluir a sua carreira internacional, Luísa viajou até Espanha, para actuar num teatro madrileno por duas temporadas (1792-1793; 1793-1794). Entre estas duas temporadas, deslocou-se a Lisboa, por ocasião do baptizado de Maria Teresa, filha de Dom João VI para cantar.

O dia 12 de Janeiro de 1799 marcou o fim do périplo internacional. Luísa Todi actuou pela ultima vez numa sala pública, na récita que rematou três temporadas triunfais (de 1796 a 1799) no Teatro di San Carlo, em Nápoles, considerada uma das mais importantes praças de ópera da Europa.

Em 1799, os Todi regressaram a Portugal fixando residência no Porto e onde a cantora lírica decidiu cantar e encantar pela última vez. Em 1803, quando Francisco faleceu, Luísa com sessenta anos, aposentou-se de vez. Na sequência das invasões francesas em 1809, Luísa e os restantes membros da família tentaram uma fuga pela travessia no Douro, tendo sido capturados pelos franceses. No entanto, o General Soult que era quem comandava os exércitos de Napoleão no período em questão, reconheceu-a como “cantora da nação” e concedeu-lhe a ela e à família, protecção.

Em 1811, Luísa instalou-se em Lisboa onde viveu até ao fim dos seus dias. A partir de 1823 começou a perder a visão de um dos olhos, manifestação de uma doença ocular que se tinha começado a dar os primeiros sinais ainda durante a temporada veneziana. Pelo que se sabe, Luísa acabou por falecer aos 80 anos de idade, em 1 de outubro de 1833, devido às sequelas de um acidente vascular cerebral, no 2º andar do nº2 da Travessa da Estrela. Esta mesma zona viria a ser renomeada como Rua Luísa Todi, em 1917, uma artéria situada bem perto do local onde outrora se encontrava a casa de espetáculos onde fizera a sua primeira aparição em público, o Teatro do Bairro Alto. Os seus restos mortais encontram-se sepultados no cemitério da Igreja da Encarnação, perto do Chiado.

O seu papel na História da Música é loquaz e inestimável, uma vez que engrandeceu o nome de Portugal e enobreceu a cultura musical europeia. Tendo a capacidade excepcional de se expressar correctamente em francês, inglês, italiano e alemão, é considerada a mezzosoprano portuguesa mais célebre de todos os tempos.

Um documentário realizado pelo realizador português, Rui Esteves, foi exibido em 2009 para a série da RTP2 Figuras Relevantes da Cultura Portuguesa, com o seguinte título: “TODI – A segunda morte de Luísa Aguiar”. O contexto: no ano 2008 seguimos os passos de uma octogenária errante e solitária que percorre locais em Setúbal, Porto e Lisboa, procurando reconhecer esses mesmos locais, agora preenchidos por gentes, esplanadas e prédios. Um filme que é uma espécie de evocação de uma Luísa Todi, idolatrada nos palcos europeus que acabou longe das luzes da ribalta e no esquecimento. Não vi o documentário e ainda fiz uma pesquisa insistente para o tentar encontrar, mas revelou-se infrutífera. Já que estamos na era do boom das séries, porque não fazer uma série sobre a vida desta mulher? A TVI projectou-se com “Equador” e a RTP tem ganho bastante audiência com séries como “Madre Paula” e “Essas Mulheres”. Fica a ideia…

Actualmente, no centro de Setúbal, encontramos referências à cantora lírica nomeadamente um monumento com a sua estátua, e a Avenida que recebeu o seu nome (Avenida Luísa Todi) uma das principais artérias da cidade.

Também o edifício principal que acolhe regularmente eventos de natureza artística recebeu o seu nome: o Fórum Luísa Todi, bem no centro da Setúbal. Adquirido, em estado de ruína pela Companhia União Fabril (CUF), o edifício foi demolido na segunda metade do século XX, e em 1958 iniciou-se a construção do actual, pelo arquitecto Fernando Silva (responsável por outros projetos como o Hotel Sheraton e o Cinema São Jorge em Lisboa). Foi inaugurado no dia 24 de Julho de 1960, pelo então Presidente da República Américo Tomás. Ao longo dos anos, o Fórum Municipal Luísa Todi tem beneficiado de vários investimentos no sentido de se modernizar e divulgar a qualidade do serviço cultural prestado.

Hoje, dia 9 de Janeiro, têm lugar as comemorações em homenagem do 266º Aniversário do nascimento da cantora, com a deposição de flores no monumento localizado na Avenida com o seu nome. Também no dia 12, pelas 21h30, o programa comemorativo organizado pela Câmara Municipal de Setúbal contempla um concerto do grupo Duo Passione, composto pelo tenor João Mendonza e Carlos Barreto Xavier, ao piano, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Ficam aqui sugestões para visitar Setúbal, cidade onde a cultura se cruza indelevelmente com o legado deixado por Luísa Todi.

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Também há um “Dia Mundial dos Correios”?

Sejam muito bem-vindos, caríssimos leitores!

Encontro-me de volta e espero apresentar-vos, mais regularmente, de novo os meus textos, sejam eles dedicados a sugestões de cariz cultural, sobre o que poderá fazer por Lisboa, ou sobre temáticas a que a minha pessoa seja desafiada a escrever. A crónica de hoje resulta de um desafio a mim colocado, meio a brincar meio a sério, mas que achei graça e aceitei de bom grado. De facto, a temática está, de certa forma, ligada a mim, profissionalmente falando, e depois porque confesso que desconhecia a existência deste pequeno mas importante evento. Ah mas tu sabias que os Correios tinham dedicado um Dia Mundial só para eles? Olha, eu não, mas fui pesquisar no sentido de saber mais sobre o assunto e é este o tema que vos trago hoje.

Primeiramente, não nos podemos esquecer de uma coisa. A acção de comunicar, entre dois ou mais indivíduos, através de longas distâncias, tem muito, mas muitos e longos anos. A mais característica e talvez das mais antigas, seja mesmo a “Carta”, onde o remetente (aquele que envia) escreve uma mensagem ou conjunto de várias mensagens e envia-a ao destinatário (o receptor da mensagem). Ainda hoje em dia, já num mundo digitalmente formatado, há quem dê uso a este meio mais tradicional, mas também mais demoroso, de comunicar. São gostos, não é verdade?

Mas porque se comemora o Dia Mundial dos Correios? Pois bem, este evento foi criado no dia 9 de Outubro de 1969, durante o Congresso Anual da União Postal Universal, em Tóquio, quando a delegação indiana propôs a instauração das festividades que, de alguma forma, celebrassem a importância dos serviços postais, bem como da fundação na Suíça, a 9 de Outubro de 1874, da “União Postal Universal”. Esta foi uma reunião internacional onde se juntaram cerca de 22 Estados, Portugal incluído, criando assim as bases de uma organização internacional que revolucionaria a forma como se comunicava a nível global. Desde 1948, a “UPU” é uma agência filiada à Organização das Nações Unidas.

Várias iniciativas são realizadas mundialmente e a nível nacional para se comemorar o Dia Mundial dos Correios sendo, entre elas a eleição da melhor carta do ano, escrita por um jovem, sendo a mesma premiada no dia das comemorações.

Em Portugal, a empresa responsável pelos correios é “CTT – Correios de Portugal”. O serviço postal no nosso país tem mais de 500 anos de existência, quando no Século XVI foi criado o primeiro serviço de correio público. Podemos então imaginar, homens a cavalo percorrendo milhares de quilómetros todos os dias, distribuindo cartas, fomentando e desenvolvendo o serviço postal português. É daqui que o logótipo dos CTT advém! Engraçado, não? Contudo, os CTT – Correios de Portugal atuais são um produto de fusão de várias empresas ligadas aos serviços postais que se foram criando e desmantelando desde o Século XIX.

Como havia dito no inicio, estou a trabalhar a nível profissional num projecto ligado aos CTT – Correios de Portugal. A experiência têm corrido bem, aprende-se um pouco todos os dias, quer individualmente quer em grupo, quando ajudamos ou somos ajudados por colegas. Sempre com o objectivo de ajudar o cliente, apesar de todos os dias recebermos feedback negativos de vários utilizadores que não compreendem que temos procedimentos a seguir e que têm de ser respeitados. Apesar do lado negativo, também já tive a oportunidade de ler vários feedbacks positivos de clientes que deixaram a sua palavra de agradecimentos por os termos ajudado.

Há muita gente que se queixa do trabalho dos CTT – Correios de Portugal, seja porque é demasiado burocrático ou demoroso. A questão aqui é que se as pessoas também forem capazes de nos ajudar, nós conseguimos fazer com que as suas solicitações sejam rapidamente tratadas e acima de tudo, tratadas com sucesso.

Meus amigos, assim me despeço, regressando brevemente com outra crónica para vosso regalo. A todos vós, desejo os votos de excelentes leituras e de bons passeios por Lisboa. A Cidade agradece!

 

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Notas azuis de Chopin

Nesta noite incauta, perfumada a liberdade e a excelência, surge à margem de um rio desconhecido um piano tão negro quanto a noite que se mostra, banhado por uma luz intensa e profunda, digna de contos dos deuses. Num suspiro, longe, flutuando onde a lua pousa na água, aparece um vulto tão elegante como o próprio céu, bem mais belo do que a lua. Não se percebe a cara, pois a sua essência, calculo eu, não se pode captar no seu rosto, mas sim na singularidade e perfeição dos movimentos majestosos do seu corpo. De repente pára, estático, e num breve momento que parece durar eternidades, num silêncio musical da natureza, dá um suspiro profundo como todos os males se expulsa. E num momento seguinte, um gesto mostrando o reflexo de uma mão delicada surge no brilho da água, e a música começa.

São notas pausadas de Chopin, que correm pelo ar em harmonia com o seu corpo. Este balança-se, como o vento passeia entre as folhas das árvores, dança como a água corre por entre as suas margens, e é tão intensa quanto o fogo a arder com toda a sua pujança. A minha alma paira com o vulto, sobrevoando o seu palco de água, observando o agradecido público: a Natureza. E que felicidade é ver de perto o seu rosto, feliz e inocente, bondoso e carinhoso, determinado e livre, banhado por um vasto cabelo azul que cai muito poético no seu rosto. A sua face é deliciosamente delineada, tão branca como a suave neve que os Deuses nos oferecem. Os seus lábios parecem feitos de gelo, e sorriem para as árvores que se movem ao som de uma tal sinfonia de Chopin juntamente com o seu corpo, numa união glorificante.

O piano toca sozinho notas suaves e delicadas, decididas como um esplêndido verso de poesia, toca em paz e enamorado, pelo vulto e pela Natureza. O seu som inebriante sai de si como um vulto de fumo, transformando-se aos poucos, em forma de humano juntando-se assim à bailarina, como se fosse o seu verdadeiro par. E a minha alma dança com eles porque assim faz sentido, porque assim eu vejo de perto e sinto mais intenso este momento inexplicável. Talvez na realidade eu seja a Lua, talvez eu seja o Rio ou talvez eu seja a Música que a motiva a dançar, o fumo que a acompanha, o piano tão negro quanto a noite, o piano enamorado por ela. Talvez eu seja a Natureza que atentamente a observa. Talvez eu seja dela.

O vulto de fumo desaparece e fica só a noite banhada pela lua, a minha alma colada ao corpo dela. E da alma saem os meus braços e as minhas mãos, podendo finalmente acariciar a sua pele. E da minha alma surge o meu rosto, o meu corpo junto ao seu, ambos flutuando por cima do rio. Sinto-a bem perto de mim e nos seus olhos vejo uma felicidade eterna, uma paz infinita, uma beleza estonteante e um verdadeiro amor. Talvez eu seja dela.

E num segundo seguinte a música é interrompida e aquela bailarina esculpida desvanece-se pelo ar e o meu coração, sem eu contar, cai-me na mão. Pobre coração não pode mais nada senão chorar enquanto eu permaneço a observar. A noite está ainda mais escura, a lua um pouco mais insegura e a Natureza inquieta. Ou talvez eu seja a noite, talvez eu seja a Lua ou até mesmo talvez eu seja a inquieta Natureza. E olhando à volta, ainda com o coração a chorar, decido voltar demoradamente para junto do piano que desta vez se encontra calado e tristonho. Talvez eu seja o piano, talvez eu seja dela.

Sento-me nele e penso: “São notas azuis de Chopin que correram pelo ar mas que tiveram que findar”. E sentada no meu piano, com as minhas mãos acariciando as suas teclas, decido voltar a tocar (porque percebi agora que estive este tempo a fazê-lo) uma tal sinfonia de Chopin. À medida que vou tocando, o meu piano fica mais leve e dirige-se para o meio do rio ainda banhado pela lua. Desta vez, é a mim que a Natureza observa. E o piano, flutuando pelo rio, faz-me dançar. As notas ouvem-se, ecoando desde o rio até à lua e quando se ouve finalmente a última, volta o meu coração a sonhar. E o meu piano desta vez risonho pausa um momento, tudo se desvanece e naquilo que me parece um temível imenso espectro preto, viajo agarrada a ele, talvez eu fosse ele. E num abrir e fechar de olhos, que na realidade foi uma eternidade, ele volta a pousar, desta vez num belíssimo areal à margem do vasto mar, de um azul tão suave quanto o do céu, um mar banhado pelo sol. Eu volto a tocar, desta vez outras distintas notas, com uma outra bailarina e talvez eu seja dela.

Foram Notas Azuis de Chopin tocadas numa noite incauta, perfumada a liberdade e a excelência e nelas lembrarei sempre os seus cabelos azuis e a sua pele como a neve, talvez eu fosse dela. Agora pertenço a ti, meu querido amor.

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Plano Nacional de Leitura: As Nossas Sugestões

Agora que o ano lectivo está prestes a recomeçar, chega a altura de comprar os manuais e o material escolar, uma lista que, para muitos pais, parece não ter fim. As opções são imensas e nem sempre todos concordam com as escolhas.

Entretanto, como nem só de cadernos e canetas se faz o ano lectivo, hoje trazemos uma lista com as nossas sugestões de livros do Plano Nacional de Leitura. Porque a leitura é uma parte essencial da aprendizagem das nossas crianças e porque também aqui há muitas opções, resolvemos aconselhar alguns que, na nossa modesta opinião, se destacam. Esperamos que possa ser útil!

Educação pré-escolar

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A Princesa e a Porquinha – Jonathan Emmett

Priscila é uma princesa e Porcilia, uma Porquinha. Quando acidentalmente trocam de lugar Porcilia é criada no palácio, como uma princesa, e Priscila transforma-se na filha de uma família humilde. Um conto de fadas que foge aos tradicionais contos de fadas, com uma história divertidíssima e fora do comum.

 

 

Wook.pt - Grande Livro dos Medos do Pequeno Rato

 

 O Grande Livro dos Medos do Pequeno Rato – Emily Gravett

Um livro para ajudar os mais pequenos a falar sobre os medos. Um livro didáctico, cheio de recortes, rabiscos e dentadas de ratinhos. Todos temos medo de alguma coisa. Mas afinal, de que tem medo o pequeno rato?

 

 

 

 

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A toupeira que queria saber quem lhe fizera aquilo na cabeça – Werner Holzwarth

A toupeira estava muito descansada na sua vida quando alguém lhe faz “aquilo” na cabeça. Zangada, ela começa então a sua investigação para saber quem lhe fez aquilo na cabeça! Um livro didático e engraçado sobre…cocó, pois é! Um livro que nos faz agradecer por os livros não terem cheiro…

 

 

1º anoWook.pt - Aquela Nuvem e Outras

 

Aquela Nuvem e Outras – Eugénio de Andrade

Um livro de poesia de um autor português, ou não fosse Portugal um país de poetas. Neste livro, Eugénio de Andrade fala de coisas simples com palavras que rimam e encantam, num tom divertido e sem perder o dom de ensinar. Um livro doce!

 

 

 

Wook.pt - A Charada da Bicharada

A Charada da Bicharada – Alice Vieira

Em “A Charada da Bicharada” encontramos mais um livro em verso, sim, porque as histórias também podem rimar. Em cada uma das páginas deste livro Alice Vieira apresenta aos mais pequenos um animal, deixando-lhes o desafio de descobrir qual é.

 

 

 

 

 

Wook.pt - A que Sabe a Lua?

A Que Sabe a Lua?  – Michael Grejniec

Há muito tempo que os animais queriam provar a lua. A que saberia ela? Não sabia, porque não lhe conseguiam dar uma dentada. Até que um dia, a tartaruga tem uma ideia: talvez entre todos lá consigam chegar…
Um livro sobre inter ajuda, cooperação e amizade. Afinal, a que sabe a lua?

 

 

 

 

 

2º ano

Wook.pt - Estranhões & Bizarrocos

Estranhões e Bizarrocos: Estórias para adormecer anjos – José Eduardo Agualusa

Neste livro de contos para os mais novos encontramos as histórias mais improváveis! Pássaros a vapor, formigas mecânicas, uma menina de peluche, a rainha das borboletas, rios que correm aos contrário… aqui tudo pode acontecer! Bonito, improvável, capaz de conquistar a atenção dos mais desatentos, um livro que nos dá vontade de ler mais e mais…

 

 

 

 

Wook.pt - A gata Tareca e outros poemas levados da breca

A gata Tareca e outros poemas levados da breca – Luísa Ducla Soares

Mais um livro de poesia, desta vez da reconhecida Luisa Ducla Soares. A sua poesia é repleta de jogos de sons, de rimas que nos fazem rir, com mais ou menos sentido. Este é um livro cheio de ritmo!

 

 

 

 

Wook.pt - Onde Moram as Casas

Onde moram as casas – Carla Maia de Almeida

De que forma as nossas casas mostram aquilo que somos? São as casas que moram nas pessoas ou as pessoas que moram nas casas?
Este livro fala-nos de sentimentos, emoções, relações e claro…casas!

 

 

 

 

3º ano

Wook.pt - Gaspar e Mariana

Gaspar & Mariana – Maria Teresa

Maia Gonzalez

É de mãos dadas que Gaspar e Mariana vivem a vida e descobrem o mundo. Gaspar gosta muito de jogar futebol. Mariana é cega. Um dia, ao aceitar um pedido de Mariana, Gaspar tem um acidente…
Um livro bonito sobre a vida e a amizade, que promete encher de ternura o mais duro dos corações.

 

 

 

 

 

Wook.pt - Poemas da Mentira e da Verdade

Poemas da Mentira e da Verdade – Luísa Ducla Soares

Neste livro de Luísa Ducla Soares encontramos poemas de nem sim nem não, mas tudo e nada. São poemas cheios de musicalidade, non-sense e muito, muito divertidos que prometem encantar os ouvidos dos mais novos. Cheio de jogos de palavras, é um livro que pretende cativar pequenos leitores que não são assim tão amigos da leitura.

Tem algum aí por casa?

 

 

 

 

Wook.pt - O Macaco de Rabo Cortado

 O Macaco do Rabo Cortado – António Torrado

Aqui, António Torrado, outro dos grandes nomes no que toca a literatura para os mais pequenos, vem recontar-nos cinco histórias tradicionais da nossa infância: O Macaco de Rabo Cortado, O Menino Grão de Milho, A História da Carochinha e do Infeliz João Ratão, Gil Moniz e a Ponta do Nariz, A Machada Machadinha do José e da Joaquina. Um livro com sabor a infância!

 

 

 

 

4º ano

Contos da Mata dos Medos – Álvaro Magalhães

Wook.pt - Contos da Mata dos Medos

Ali na Mata dos Medos, que fica algures entre Almada e Sesimbra, vivem bichos que são mesmo como nós, apesar de serem bichos. Um Coelho cheio de medo que o mar lá chegue, uma Lagarta que adora comer livros de poesia mas está farta de seguir as outras Lagartas, um Chapim ambicioso que quer ter 1000 bagas, uma Toupeira muito instruída e um Ouriço que gosta mesmo é de não fazer nada… Um livro em que os animais quase podiam ser pessoas. Quase!

 

Wook.pt - A maior flor do mundo

A Maior Flor do Mundo – José Saramago

E por aí, já sabiam que o prémio nobel português afinal não escrevia só para adultos?
Neste livro, José Saramago conta-nos a história de um menino que faz nascer a maior flor do mundo. Um menino que até podia ser ele próprio, num livro para os mais novos que é, ainda assim, um legitimo Saramago!

 

 

 

 

 

Wook.pt - O Livro que só Queria ser Lido

O livro que só queria ser lido – José Jorge Letria 

O livro de que nos fala este livro, já esteve na moda. Teve muitos leitores, correu de mão em mão e acabou…arrumado numa prateleira!
Agora, tudo o que ele quer é voltar a ser lido. Conseguirá realizar esse sonho?

 

 

 

 

 

5º ano

Wook.pt - O Feiticeiro de Oz

O Feiticeiro de Oz  – L. Frank Baum

Dorothy e o seu pequeno cão são levados por um furacão desde a sua terra, o Kansas, até à Mágica Terra de Oz. Agora, tudo o que Dorothy quer, é voltar para sua casa e a única que o pode ajudar é um Feiticeiro. Mas a busca pelo Feiticeiro não é tão fácil e rápida como seria de supor e, pelo caminho, Dorothy vai fazendo novos amigos: um Espantalho sem cérebro, um Homem de Lata sem coração e um Leão cobarde e busca de coragem. Conseguirão eles encontrar o que procuram?

 

 

 

 

 

Wook.pt - A Bicicleta Que Tinha Bigodes

A Bicicleta Que Tinha Bigodes – Ondjaki

Três crianças participam num concurso de redação. O prémio? Uma bicicleta com as cores de Angola. Misturando realidade e fantasia Ondjaki conta-nos, neste livro, a sua infância, as suas recordações e a realidade Angolana, num livro que ainda assim é adequado a qualquer idade. Uma história mágica.

 

 

 

 

 

 

Wook.pt - Ponte para Terabithia

Ponte para Terabithia – Katherine Paterson

Quando Leslie e Jess se tornam vizinhos, depressa se tornam também grandes amigos. Leslie, que chamou Terabithia à sua terra secreta, empresta a Jess todos os seus livros sobre Nárnia. Afinal, ele precisa aprender como funcionam os mundos mágicos…
Mas um dia, a amizade de Leslie e Jess é posta à prova. Um livro lindo, mágico e que não promete finais felizes.

 

 

 

 

 

6º ano

Wook.pt - Primeiro Livro de Poesia

Primeiro Livro de Poesia – Sophia de Mello Breyner Andresen (Sel.)

Destinado a crianças e adolescentes, este livro traz-nos alguns dos mais fantásticos poemas de autores de língua portuguesa. Uma antologia que promete deixar os mais novos apaixonados pelo mundo dos versos.

 

 

 

 

Wook.pt - O Principezinho

Principezinho – Antoine de Saint-Exupéry

Haverá alguém que não conhece a história deste pequeno príncipe, que veio de um planeta distante para aprender o que é cativar? No seu caminho, o pequeno príncipe aprende as mais belas lições ou melhor, ensina as mais belas lições. Um livro para crianças que todos os adultos deveriam ler!

 

 

 

 

Wook.pt - Tobias e o Anjo

Tobias e o Anjo – Susanna Tamaro

O avô é o porto seguro de Marta. É o único que a consegue pôr a fazer os trabalhos de casa, é o único que passeia com ela e lhe dá mimos. Os pais estão demasiado ocupados a discutir e, na escola, Marta não têm amigos. Até ao dia em que o avô não aparece como combinado…
Marta foge então de casa, em busca do avô. Pelo caminho, vive uma grande aventura e conhece as mais caricatas e ternurentas personagens.

Um livro lindo, sobre o poder do amor, da esperança e do perdão.

 

 

 

 

7º ano

Wook.pt - Contos de Natal

Um Conto de Natal e Outros Contos – Charles Dickens

Em “Um Conto de Natal” conhecemos o avarento Scrooge, um velho rico que vive sozinho e não gosta do Natal. Durante a noite da consoada, Scrooge é visitado por três espíritos, o Espírito do Natal Passado, o Espírito do Natal Presente e o Espírito do Natal Futuro. Um livro que promete pôr-nos a pensar sobre os valores do Natal, do amor ao próximo e sobre a maneira como vivemos a vida.

 

 

 

 

Wook.pt - A Pirata

A Pirata – Luísa Costa Gomes

Neste livro ficamos a conhecer Mary Read, uma das poucas mulheres piratas de que se tem conhecimento. Meio biografia meio ficção, este livro promete trazer-nos muitas aventuras de uma mulher real, de uma forma que os mais novos vão adorar.

 

 

 

 

 

 

Wook.pt - Marley & Eu

Marley & Eu – John Grogan

John e Jenny são jovens, estão apaixonados e decidem levar para casa Marley, um pequeno cachorro. Mas depressa percebem que Marley está a crescer e é mais do que um inocente cachorro: é o pior cão do mundo! Rói tudo, baba-se para cima das pessoas, arromba portas e tem um medo terrivel de trovoadas. Há medida que os anos passam e a familia cresce Marley cresce e envelhece com eles, numa história de amor e zangas. Porque o amor tem muitos formas e, por vezes, é um labrador amarelo de 43 quilos.

 

 

8º ano

Wook.pt - O Quarto de Jack

O Quarto de Jack – Emma Donoghue

Jack tem 5 anos e o seu quarto é o mundo todo. Mas não porque o quarto tenha alguma coisa de especial. Jack é que nunca conheceu mais nada. É no quarto que ele e a Mãe comem, dormem, brincam e vivem todas as aventuras possiveis. Mas a mãe quer sair do quarto, diz a Jack que precisa de se fazer de morto…
Uma história de amor entre mãe e filho, uma história de coragem e de dor vista sob os olhos inocentes de uma criança.

 

 

 

 

 

Wook.pt - O Diário de Anne Frank

O Diário de Anne Frank

Escrito entre 12 de junho de 1942 e 1 de agosto de 1944, “O Diário de Anne Frank” conta a história veridica de uma jovem e da sua familia que vivem dois anos escondidos num anexo no sotão, para se esconderem das tropas nazis. Judeus, tentavam evitar o campo de concentração. Uma história de luta, de guerra e dos desafios da adolescência.

 

 

 

Wook.pt - A Lua de Joana (Edição especial)

A Lua de Joana – Maria Teresa Maia Gonzalez

Uma história comovente de uma jovem que, para enfrentar a morte da melhor amiga, acaba por cair também nos seus erros. Uma história de dor e desespero que nos lembra do que é realmente importante na vida. A leitura é envolvente e acabamos apaixonados por Joana, independentemente de todos os seus erros.

 

 

 

9º ano

Wook.pt - O Fantasma de Canterville

O Fantasma de Canterville – Oscar Wilde

Repleto de terror e comédia, neste livro uma rica família americana que não acredita no sobrenatural muda-se para um castelo assombrado. O fantasma vê-se então obrigado a criar os mais loucos estratagemas para os conseguir assustar. Uma história divertida que nos fala também de algumas grandes questões da nossa vida e que os mais novos vão adorar!

 

 

 

Wook.pt - A Rapariga que Roubava Livros

A Rapariga Que Roubava Livros – Markus Zuzak

Neste livro narrado pela Morte, conhecemos a história de Liesel uma menina de 9 anos que vive na Alemanha na época da 2ª Guerra Mundial. Para a ajudar a combater as grandes dificuldades por que passa Liesel rouba livros, e é na leitura desses livros que se refugia no dia-a-dia. Uma história de coragem e de como os livros nos podem ajudar a passar pelos momentos maus.

 

 

 

Wook.pt - Contos da Montanha

Contos da Montanha – Miguel Torga

Neste livro Miguel Torga conta-nos as vidas dos portugueses no interior do país durante o periodo da ditadura. Pobreza extrema, honestidade e honra, trabalho, sofrimento e alegria, todos fazem parte deste livro, que promete ainda dar aos mais novos um vislumbre diferente desta época tão negra do nosso país.

 

 

 

 

Ensino Secundário

Wook.pt - Mulherzinhas

 

Mulherzinhas – Louisa May Alcott

Neste grande clássico da literatura conhecemos as irmãs Meg, Jo, Beth e Amy, numa altura em que a familia passa por sérias dificuldades. O pai partiu para a guerra e numa época em que são os homens o sustento da familia, as mulheres da casa vêem-se então a braços com sérias dificuldades financeiras. Um livro com uma importante mensagem de luta e perseverança, que nos lembra a importância de sermos felizes mesmo quando nem tudo corre bem.

 

 

 

 

Wook.pt - Este livro que vos deixo - Livro 1

Este Livro Que Vos Deixo… – António Aleixo

“Uma mosca sem valor 
poisa, c’o a mesma alegria,
na careca de um doutor
como em qualquer porcaria.”

António Aleixo, poeta português conhecido como sendo o poeta do povo, escreve nas palavras mais simples as mais duras verdades. Uma leitura excelente, com quadras de uma simplicidade alarmante e escritas por um homem que podia ser qualquer um de nós.

 

 

 

 

Wook.pt - O Rapaz do Rio

O Rapaz do Rio – Tim Bowler

Há duas coisas que Jess gosta mais do que tudo o resto, na vida: a natação e o avô! Mas quando Jess descobre que o avô está em estado terminal, o chão foge-lhe debaixo dos pés. E que quadro é aquele que o avô quer a todo o custo acabar?
Um livro escrito de uma forma maravilhosa, com uma história linda sobre amor, vida e morte.

 

 

 

Wook.pt - O Rapaz do Pijama às Riscas

O Rapaz do Pijama Às Riscas – John Boyne

Quando o pai de Bruno é promovido no trabalho toda a familia tem de mudar-se para uma casa nova onde Bruno não tem niguém com quem brincar. Até que, ao explorar a zona, Bruno encontra uma cerca e do outro lado da cerca um estranho rapazito com um pijama às riscas. Aos poucos os dois tornam-se melhores amigos. O que Bruno não sabe é que o rapaz é um prisioneiro e a cerca é tudo o que o separa de um campo de concentração…

 

 

 

 

 

Wook.pt - Se Eu Ficar

 

Se eu ficar – Gayle Forman

Mia é uma jovem de 17 anos perfeitamente normal, com as típicas preocupações de uma jovem de 17 anos. Mas tudo muda quando, num belo dia a sua família decide ir dar um passeio de carro e têm um acidente.
Tudo muda. E há decisões importantes a serem tomadas. Valerá a pena?

 

 

 

Wook.pt - O Papalagui

O Papalagui – Erich Scheurmann

Papalagui é o Homem Branco, o Senhor. E é isso que o chefe da tribo de Tuiavii de Tiavéa, dos mares do Sul, chama aos homens brancos nos seus textos. Esses homens que vivem em caixas, que não prestam atenção às estrelas no céu nem liga à natureza.
Textos de uma pureza, de uma inocência e simplicidade incríveis, que nos fazem pensar no nosso mundo e naquilo em que os transformamos.

 

 

 

 

Wook.pt - O Meu Pé de Laranja Lima

O Meu Pé de Laranja Lima – José Mauro de Vasconcelos

Esta é a história verídica do próprio autor. Zézé é um menino de seis anos, que cresce numa família brasileira extremamente pobre. Traquinas, Zézé é um de muitos irmãos e de tanta maldade que faz passa o tempo a levar porrada. Até que um dia conhece o Portuga, um velho português que vive sozinho, e aprende aí o significado da ternura e o que é ter um pai e amigo de verdade. Mas nem tudo corre bem.
Uma história linda e comovente, capaz de fazer chorar até as pedras da calçada…

 

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A Bala Era A Lei – Uma Série de Faroeste que Nunca Aconteceria no Faroeste

Hoje é dia de despejar o meu coração numa crónica. De honrar um projecto do qual tenho o máximo orgulho, no dia em que se celebram 3 meses desde o seu fim (será?). A Bala Era A Lei é uma das primeiras séries Western portuguesas alguma vez gravadas para o Youtube e é, igualmente, uma das minhas maiores aventuras nos últimos anos. Sobre os planos e palavras de dois gigantes, Duarte Henriques e Marcos Bilro, tive o prazer de mostrar os meus dotes de actor amador, protagonizando uma série que já pensamos que venha a ser um cânon para a HBO no futuro próximo.

Brincadeiras à parte, deixo-lhe uma nota: a verdadeira razão que me levou a escrever esta crónica não é a auto promoção, mas sim para mostrar ao caro leitor o que se pode fazer com meia dúzia de adereços e 76 euros (acresce gasolina). Uma série com 6 episódios lançada num período de 6 meses e que já conta com alguns milhares de visualizações acumuladas. Uma aventura que cresceu do nada. Que fortaleceu laços e desenvolveu talentos. Que prova que em Portugal é possível tentar o caminho da cultura com um cheque careca nas mãos. E prova também que o Youtube é um meio de difusão tão legítimo como qualquer outro, mesmo tendo em conta a realidade do nosso país.

Mas calma aí, isto não é o Westworld. Não criámos um fenómeno da internet (por enquanto?) e foi muito mais a diversão que o sucesso. Mas deixe que vos digo que A Bala Era A Lei é uma das séries Western mais inovadoras no Portugal digital destes últimos anos e as raízes da inspiração surgem aos pontapés. Para qualquer versado em cinema não será difícil encontrar referências e recriações de grandes produções cinematográficas que são tudo menos “coboiadas” amadoras.

E não é isto que os artistas fazem? Pegam nos seus maiores heróis e dão um toque pessoal à mescla para trazer algo de novo à sua geração. E foi um pouco o que os nossos dois roteiristas fizeram. Os “pais do Western” (como geralmente os chamamos) passaram horas, dias, semanas à procura das cenas perfeitas, mesmo não tendo o melhor material, os melhores actores e actrizes, e os melhores cenários. E não é que foi essa a chave para que quase tudo corresse tão bem? O elenco aumentou exponencialmente, a qualidade de gravação e argumento cresceram e agora aqui estamos… a celebrar “uma série de Faroeste que nunca aconteceria no Faroeste” (uma das nossas frases de promoção da série nas redes sociais).

Foram muitos os vídeos, teasers e brincadeiras que fomos fazendo durante cerca de um ano. E tudo por causa do “3:10 No Areeiro”, uma recriação do trailer do filme 3:10 To Yuma, aquele que é provavelmente o melhor filme Western desde do novo milénio. Em baixo podem ver o trailer oficial da série! (se estiver com vontade de ver mais vídeos, o tal trailer do “3:10 No Areeiro” também está no mesmo canal)

Esta crónica serve de agradecimento a todos os envolvidos mas é também um apelo ao público português para os criadores da série. Imaginem o que estes dois poderiam fazer com um orçamento minimamente. Com tudo à mão de semear. Fica ao vosso critério acreditar em mim, mas toca a espreitar a série. Porque é garantido que vos vai deixar com pelo menos meia dúzia de gargalhadas. Sim, porque isto é um Western Spaghetti com muita comédia à mistura. E “coboiada” com comédia? Do que está à espera para nos visitar, caro leitor?

Pode ser que descubra as cantorias do Xerife Afonso, as gritarias da temível Juju ou as cobardias do Bandido Pippi… tudo é possível naquela que é a mais desconchavada, mas também adorável série de Faroeste a seguir ao Alentejo Sem Lei (que tão bem amamos).

Para terminar esta autêntica carta aberta à série em si, resta-me apenas fazer um grupo de menções individuais aos grandes responsáveis pela série. Ao brilhante Nuno Teixeira por criar a banda sonora e por ser o meu maior inimigo, ao Pedro Afonso por se revelar um grande cantor e actor, à família Henriques por ter criado uma dupla realizador-actriz genial e por aguentar as minhas idiossincrasias, ao Marcos Bilro por me compreender nos dias em que nem eu sei o que ando a dizer e a todos os que contracenaram comigo durante o último ano.

Por último fica um agradecimento à direcção do Ideias e Opiniões por me dar a liberdade e o privilégio de escrever acerca deste projecto.

Ao público de agora e ao público do futuro: tudo a ver! A cidade de Socorro está à vossa espera e com ela uma aventura que fará miúdos e graúdos rir. Não só pela história, como pelo a execução que é, no mínimo, especial. De propósito. Eu juro.

A Bala Era Lei. Uma série Western gravada no Areeiro e em Monsanto com pistolas de plástico e com um cavalo. What’s not to love?

Pode ver os links para todos os episódios e para o canal do fantástico Duarte Henriques, o maior trabalhador desta série, aqui!

Vemo-nos no velho Oeste, caros leitores! E boa sorte a tentar encontrar o ilustre Maria Pippi…

Hasta La Vista, Baby!










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“O Que Eu Digo Não Se Escreve…” — A chegada dos novos iPhones…

Para quem é um fervoroso adepto das traquitanas que a Apple possui, o mundo parece parar de 6 em 6 meses – espaço de tempo em que são lançados novos produtos pela empresa da maçã. Ora, mais recentemente, a Apple voltou a apresentar os seus novos iPhones em mais um evento catita cheio de suspense e glamour – apanágio da cultura americana, que são os primeiros a criar um enorme ênfase à volta daquilo que é, indubitavelmente, algo simples e que nunca irá ser a cura para um dos enormes flagelos do mundo: o cancro.

 

 

Como tem sido paradigma, sempre que a marca lança um novo iPhone, o seus preços são, cada vez mais, elevadíssimos. O novo iPhone pode chegar perto dos 1600 euros. Tendo em conta este pequenino pormenor, decidi abordar algumas pessoas na rua (na verdade foi só uma, porque tenho uma filha para criar que me ocupa bastante tempo, e também porque é só estúpido andar na rua a entrevistar pessoas, quando se pode usar esse tempo precioso para, por exemplo, ler um simples livro…) para saber a sua opinião sobre este tema. Ora vejamos…

 

 

Eu: Olá, amigo. Como está?

 

Pessoa: Desculpe, não posso. Não tenho tempo! Estou cheio de pressa!

 

Eu: Calma, isto é rápido. É só uma pergunta ou duas!

 

Pessoa: Não posso! Se me atraso, podem esgotar! E depois todo o meu esforço terá sido em vão!

 

Eu: Esgotar? Esforço? Está a falar do quê?

 

Pessoa: Do novo iPhone, claro! Mas há alguma coisa mais importante no mundo do que isso?! Pfff.

 

Eu: Ah! Mas era mesmo sobre o iPhone que eu pretendo fazer-lhe uma pergunta ou duas. É rápido!

 

Pessoa: Ai é? Ah, sendo assim o caso muda de figura. Ora diga lá!

 

Eu: Muito bem. Já vi que é um adepto dos produtos da Apple. Diga-me, o que acha do facto dos preços dos novos iPhones serem tão elevados?

 

Pessoa: Acho bem! Quando o produto é bom, há que pagar o devido valor por ele.

 

Eu: Ah, então quer dizer que o senhor está à vontade para comprar um iPhone no valor de 1600 euros.

 

Pessoa: Claro que não. É muito dinheiro. Mas acho que vale a pena fazer alguns sacrifícios e esforços para o obter.

 

Eu: Ah, ainda bem que coloca a questão nesse sentido. Então que esforços e sacrifícios teve de fazer para poder adquirir o novo iPhone?

 

Pessoa: Ah, nada de mais… Primeiro, vendi o recheio da casa. Como tenho um T1, não tinha muita coisa em casa. Logo, a venda do recheio da casa não foi suficiente para chegar aos 1600 euros. Optei então por vender um rim. Correu bem, mas ainda assim não chegava. Não quis entrar em loucuras, por isso achei que era boa ideia vender alguns órgãos que tivesse aos pares no corpo, para assim não correr o risco de falecer. Vendi um pulmão, um testículo e um olho. Mesmo assim, ainda faltavam alguns trocos. Então, num bocadinho de desespero, mas ressalvo que vale sempre a pena quando se trata do novo iPhone, decidi que não custava nada vender-me a mim mesmo. E foi assim que consegui os 1600 euros para o iPhone. Foi fácil até…

 

Ilustração de um dos rins vendidos

 

Eu: Uau… Como é que você ainda consegue manter-se em pé e a respirar, homem?

 

Pessoa: Simples, com umas sessões de fisioterapia e isto vai ao lugar. Por falar nisso, visto que eu não posso vender mais nada para além do meu próprio corpo, e como preciso de dinheiro para as sessões de fisioterapia, o meu amigo não quer uns favorzinhos? Eu vendo-lhe o meu corpo. Pode fazer o que quiser comigo, e eu faço-lhe um bom preço. Vá, não diga que não, é por uma boa causa…

 

Eu: Amigo… sem um testículo, um pulmão, um olho, um rim e sabe-se lá mais o quê, para comprar vegetais vou ao Lidl e fica-me mais em conta…

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A Luz e Sombra de Ariana Grande em “Sweetener”

Estávamos ainda em 2016 quando as primeiras notícias do álbum nº4 de Ariana Grande começaram a circular. À data, “Side to Side” causava abalos nas tabelas e o deslumbramento incessante por Dangerous Woman impedia sequer que algum tipo de entusiasmo pairasse no ar. Demasiado cedo, demasiado apressado e totalmente inesperado para ser uma possibilidade.

Até que os fatídicos acontecimentos de Manchester ocorrem em Maio de 2017 – vinte e três dos seus fãs perderam a vida num atentado terrorista e mais de quinhentos ficaram feridos – e o projecto não só é reestruturado e abranda, como adquire toda uma outra dimensão. Ariana Grande lida com o rescaldo da situação de forma notável, encabeçando um gigantesco concerto de beneficência que funcionou como pontapé no ódio e a tornou numa espécie de heroína nacional. Mas o episódio deixaria marcas profundas.

Muito corajosamente, Ariana Grande ainda conseguiu terminar os concertos da digressão de suporte ao álbum, suspensa durante as semanas que se seguiram, mas reduziu a sua presença na esfera pública a zero, evadindo-se assim que a agenda permitiu. Enquanto isso, todas as emoções evocadas pelo trauma eram canalizadas no processo criativo do novo álbum.

O silêncio seria quebrado em Abril último, quando “No Tears Left to Cry” dava o mote à era vindoura de Sweetener. Uma desafiante construção Dance Pop de batida garage erguida como monumento ao atentado, diluída na cadência emocional de “One Last Time” e na brisa fortalecedora de “Break Free”, sobre dar a volta por cima e perseverar perante a adversidade.

E se esse é o evento catalisador de Sweetener, não poderemos também descurar a importância de Pharrell Williams na atribuição de uma identidade distinta ao projecto. Relegando os colaboradores habituais – Ilya e Max Martin – para segundo plano, Ariana Grande deixa que o timoneiro dos The Neptunes leve a sua música por caminhos menos óbvios e não tão próximos do modelo normativo e eficaz da canção Pop. Como “The Light Is Coming”, o primeiro esforço conjunto que lhes escutámos, uma frenética amálgama Electro-Pop de batida trémula e espacial, poliritmos, drumpads e sintetizadores agitados, assente numa atípica entrega vocal de Ariana Grande em cadência de quase Rap – a reclamar a luz que as trevas roubaram – e num inusitado sample recuperado ao discurso irado de um civil para com um senador da Pensilvânia (“you wouldn’t let anybody speak and instead”), que ecoa ao longo do tema.

A aliança criativa nem sempre é pacífica, mas é no risco e no factor surpresa que Sweetener revela os seus trunfos. Em “Blazed” – cintilante prosa de Pop/R&B sincopado acerca de um amor assolapado – e “R.E.M.” – não uma homenagem à banda de Michael Stipe, antes alusivo à narração vívida de um sonho idílico com o seu mais-que-tudo – Pharrell entrega a Ariana Grande duas canções que caberiam no catálogo pós-2005 de Mariah Carey. “Successful” dilui-se em produção staccato R&B/Funk e celebra de forma positiva a sua própria prosperidade e êxito, bem como o de outras jovens mulheres bem-aventuradas e sagazes; enquanto que o intrépido tema-título versa sobre alumiar e aligeirar uma situação negativa, dividindo-se entre composição midtempo R&B ao piano e intoxicante construção trap-pop debitadora de versos onomatopaicos como se comandada pelo Bop It.

A única ocasião em que Pharrell lhe concede um senhor banger é em “Borderline”, tempestade sónica de Pop-Funk/Hip Hop que recaptura “Flap Your Wings” ou “Hot in Here” que em tempos idos compôs para Nelly a bordo dos seus Neptunes, e que conta com uma (demasiado) breve e algo decepcionante participação de Missy Elliott. O que se perde em arrojo ganha-se em solidez comprovada pela mão de Ilya e Martin: “God Is a Woman” faz virar cabeças com a sua mensagem de emancipação, espiritualidade e libertação sexual; “Everytime” soa à sequela menos fogosa e mais conturbada de “Everyday”“Better Off” trata-se da triste mas assertiva compreensão de que o fim do relacionamento com Mac Miller lhe trouxe maior serenidade; e o fantabulástico “Breathin’”, incrível na sua produção Electropop, é possivelmente o melhor bop alguma vez feito sobre ataques de ansiedade. É praticamente certo que chegará a single, resta saber se ainda antes do final do ano.

Nos seus derradeiros instantes, Sweetener dá uma segunda vida a “Goodnight n Go” de Imogen Heap, adicionando alguns versos e uma atmosfera Trap, conservando no entanto a etérea tónica Synthpop; dedica juras de amor eterno ao noivo “Pete Davidson”, e convoca Pharrell Williams uma última vez para um relato honesto e confessional do período conturbado que viveu após o atentado de Manchester em “Get Well Soon” – novamente a importância do cultivo do bem-estar físico e mental, na mais importante das canções que Ariana Grande escreveu até hoje. É triste, reconfortante, lunática e esperançosa – um perfeito condensar das emoções e ideias que atravessam o disco.

Cinco anos de imaculada actividade musical permitem a Ariana Grande correr uns quantos riscos sem que isso implique que caia do seu pedestal. Poderemos dizer que o seu pico comercial esteve algures entre o arsenal de hits de My Everything (2014) e sobretudo Dangerous Woman (2016), mas é em Sweetener que está o seu despertar artístico. Isso custar-lhe-à inevitavelmente a alienação de algum do seu público, mas a conquista da massa crítica bem como a validação e identificação da sua obra, serão por esta altura as metas mais importantes do seu percurso. Resta esperar que Ariana Grande continue a crescer no sentido certo, destinada à grandeza que sempre lhe reconhecemos.

 

Ariana Grande – Sweetener (2018)

Editora: Republic Records

Classificação: 8,3/10

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Anna Maria Luísa – a última descendente dos Médicis e o seu legado em Florença

Para os estudiosos da História e para os amantes desta área, Florença é e será sempre uma referência inconfundível, por vários motivos. É a cidade natal de Dante, o autor de um marco da literatura, a Divina Comédia. É considerada o berço do Renascimento, com cenários construídos por artistas tão conhecidos como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Sandro Botticelli, Rafael e Donatello. Foi governada durante quase três séculos por uma das mais influentes famílias da História, os Médicis, conhecidos como uma das mais poderosas dinastias de banqueiros da Idade Moderna. E é sobre os Médicis que vos pretendo falar, tendo como ponto de partida a minha viagem até Florença que decorreu no final do mês de Junho.

Antes de mais, Florença passou a estar na minha lista de cidades europeias para conhecer, desde o meu primeiro ano da licenciatura. Por essa altura havia uma disciplina designada de “História da Europa Moderna” em que a abordagem se centrava no período de expansão do continente europeu, por via dos Descobrimentos Portugueses, da mundialização das trocas comerciais e da efervescência cultural, onde claro está, Florença não poderia ficar de fora. Digamos que essa temática foi um pequeno rastilho que acentuou a vontade de ir a Florença pelo menos uma vez na vida. Digo-vos que vale muito a pena. É tão ou mais do que as nossas expectativas possam idealizar. Tirando a parte da gastronomia, pela qual não fiquei especialmente apaixonada, à excepção de dois locais que irei deixar como referência no final desta crónica.

Florença está rodeada de montanhas e é uma cidade preenchida por pontes, são sete no máximo, sendo a principal a Ponte Vecchio. O pôr-do-sol que ainda mantém a sua intensidade às 20h de verão, banha o rio Arno e cobre a cidade, ficando semelhante a uma paisagem de postal. A Catedral Santa Maria dei Fiori é majestosa e, apesar de não ter visitado o seu interior,  junto dela somos arrebatados pela sua imponência. Em cada esquina podemos encontrar estátuas da mitologia romana, de governadores e imperadores, de artistas e patronos das artes. O Palazzo Vecchio, outrora residência dos Médicis é constituído por várias divisões sem mobiliário e cheio de detalhes artísticos nos tectos. Durante esta visita, tivemos uma guia que nos relatou a história da poderosa família, relevando os elementos que mais contribuíram para a projeção do seu nome no mundo: Cosimo, Lorenzo e Anna Maria Luísa. De Cosimo e Lorenzo já conhecia os feitos como mecenas e conquistadores mas, sobre Ana Maria Luísa não me lembro de ouvir nenhuma referência. Talvez por ignorância minha ou porque o papel das mulheres sempre foi um pouco encoberto ao longo da História da Humanidade. Um facto é que esta “descoberta” apurou a minha curiosidade e vontade de trazer à luz do dia esta personagem.

Anna Maria Luísa foi a última descendente da dinastia que governou a capital da região da Toscana. Nascida em 1667, foi a segunda dos três filhos e única filha de Cosimo III e de Margarida Luísa de Órleans. Juntamente com os seus irmãos Ferdinando e Gian Gaston, cresceu na Villa Poggio Imperiale Medici, onde viveram com a avó Vitória della Rovere, uma católica fervorosa. Foi esta avó que criou Ana Maria Luísa uma vez que, a sua mãe havia partido para nunca mais voltar. A relação entre os pais da pequena duquesa era tempestiva e após várias tentativas de reconciliação, Margarida partiu para França, onde se refugiou no Convento de Montmartre, abdicando de todos os seus privilégios nobiliárquicos.

Em 1691, Anna Maria Luísa contraiu matrimónio com o príncipe austríaco João Guilherme de Dusseldorf, transferindo-se para a Áustria. Ambos amantes das artes, apoiaram e patrocinaram incontáveis pintores e músicos. De acordo com relatos históricos, tiveram um casamento harmonioso apesar de não terem gerado descendência. Uma das razões apontadas para tal, foi o facto de João Guilherme ter contraído sífilis e por consequência, infectado Anna Maria Luísa.

Em 1716, quando o seu marido faleceu, Anna Maria Luísa regressou à sua Florença onde se deparou com uma crise de sucessão. O seu irmão mais velho Ferdinando falecera em 1713 sem deixar herdeiros e o irmão mais novo, Gian Gaston, separara-se, igualmente sem descendência, demonstrando desinteresse pelos assuntos do Estado. O pai, Cosimo, preocupado e idoso, reconheceu, então, Ana Maria Luísa como sua legítima herdeira. No entanto, com a sua morte em 1723, Gian Gaston assumiu forçosamente o poder por direito de sucessão, visto que, as mulheres não podiam exercê-lo, excluindo a irmã da participação no governo. Ana Maria Luísa aceitou renegação sem resistência e, retirou-se para uma das propriedades da família, a Villa La Quite, na qual procedeu a inúmeras reformas arquitectónicas, durante os catorze anos em que lá residiu.

Em 1737, Gian Gaston faleceu e seguindo os acordos estabelecidos entre as grandes potências europeias à altura, o título passou para o duque de Lorena, membro de uma família poderosa italiana. Não obstante, a  Ana Maria Luísa foram entregues os bens de família acumulados durante três séculos: propriedades, obras de arte e jóias.

Última descendente da família Médicis, Ana Maria Luísa distinguiu-se pela sua extrema inteligência e equilíbrio. Devido ao seu amor pelas artes e à sua dinastia, estipulou um pacto com novos governantes da Casa Lorena designado de Pacto de Família, que contemplava a preservação de todo o património artístico da família. Assim, transferiu os seus bens sob a condição de que estes deveriam ser conservados, destinados ao ornamento do Estado e serviriam para utilidade pública e curiosidade dos forasteiros.

Ana Maria Luísa passou os seus últimos anos a residir numa ala do Palazzo Pitti sem atuar no governo e sem contato com a nova família reinante, mas com todas as pompas reservadas a uma Grã-Duquesa. Nos anos subsequentes à morte do irmão, dedicou-se a obras de caridade e à construção do mausoléu da família A Cappella dei Principe, que é hoje uma das principais salas da Capela dos Médicis, onde se encontra uma escultura de bronze da grã-duquesa, autoria do escultor Raffaello Salimbeni.

Em jeito de conclusão, os Médicis foram uma dinastia de figuras destacáveis, mas reitero aqueles que para mim, serão sempre nomes sonantes: Cosimo (1389-1464), fundador da dinastia, humanista com um profundo interesse pela cultura e conhecimento, tendo impulsionado o Renascimento e, um grande homem de negócios, expandindo os horizontes do banco familiar e gestor das finanças papais. Lorenzo (1449-1492), neto de Cosimo, líder político da cidade-estado durante vinte e três anos, guiando Florença num período de estabilidade e crescimento. Valeu-lhe o cognome de Magnífico. Por fim, Anna Maria Luísa (1667-1743), pois, se hoje em dia, Florença é um dos maiores polos turísticos do mundo, conhecido pelo seu imensurável património artístico é graças à última descendente desta linhagem, que com a sua visão extremamente moderna já imaginava a sua tão amada Florença invadida por forasteiros, que hoje chamamos de turistas e viajantes. Anualmente, o dia 18 de Fevereiro (dia da data da sua morte) é comemorado em forma de homenagem, com um cortejo histórico e com entrada gratuita nos museus.

Em relação à gastronomia, se forem a Florença, não se esqueçam de passar no “El Canto Del Ramerino”, um restaurante onde o proprietário, o Gian, um brasileiro residente há 23 anos em Florença, recebe-vos com grande hospitalidade e carinho na comida. Se quiserem umas boas piadinas, passem no “Il Rubaconte”, um espaço igualmente acolhedor, gerido pelo Davide, um simpático jovem que me disse estar desejoso de conhecer Portugal.

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O Primeiro Dia de Aulas

Marcadores fluorescentes ou marcadores normais? Ou será que é preferível os marcadores com cores-pastel? Cadernos novos para todas as disciplinas ou cadernos com separadores? E se, ao invés disso fores adepto de dossier? Mochila ou mala? Agenda escolar ou bullet journal?

A verdade é que estamos perante um acontecimento regular de “compra e venda”, “oportunidade e diversidade”. Mas neste caso, arrisco-me a dizer que a oferta excede a procura e quase sem ser notório a procura também se vai encaixar na variada oferta.

Se for pai/mãe e disser aos seus filhos que quando tinha a idade deles não existiam a maioria das coisas que existem hoje em dia, dificilmente conseguirão imaginar. Porquê? Porque hoje em dia temos tudo com muito mais facilidade.

Estamos perante um “regresso às aulas” que nada tem de preto e branco ou de quadro com giz. Contudo, há coisas que acontecem repetidamente. Vamos então imaginar:

Temos uma família tradicional portuguesa, com a mãe Maria e o filho José e o pai António. O José tem apenas 6 anos acabados de completar. Hoje é o seu primeiro dia de escola. São nove horas e acaba de chegar à sua escola com a sua mãe. Olha em seu redor e vê rostos novos, principalmente o da professora – aquela pessoa que está ali para o ensinar (a ele e aos outros meninos). Por incrível que pareça vê o seu amigo Francisco a chegar também com a sua mãe. Assim já nem tudo parece estranho e se for, tanto é para o José, como para o Francisco.

Ninguém falou com o José sobre o primeiro dia de aulas. Ninguém lhe explicou como iria ser. Ninguém o preparou para esta nova aventura mas a lista do material escolar que a mãe tinha comprado era: lápis para colorir; um caderno com aquelas linhas bem juntinhas para aprender a fazer as letras; os livros da escola; lápis para escrever e uma caneta azul e um dossier para as fichas.

– Porque preciso de tanta coisa? – pergunta o José à mãe.

– Porque é a lista de material que fui buscar à escola. – responde a mãe.

A pergunta do José não está errada e a resposta da mãe também não, mas o problema é mesmo esse, e isso espelha em grande medida a sociedade portuguesa: As exigências escolares iniciais são maiores do que as reais necessidades de quem vive o momento pela primeira vez.

Imaginemos que a lista de coisas necessárias mudava e passava a ser: conhecer a escola; conhecer os colegas; conhecer a professora; aprender a brincar no recreio (hoje em dia diz-se intervalo, não é?); falar sobre o que é entrar para a escola.

Mas nada disso se compra e a verdade é que é necessário colocar as famílias a consumir. E às vezes a consumir sem saber bem para quê, só porque há uma lista.

Caro leitor, eu nasci nos anos 90 e quando eu entrei para a escola em 2001 não existia tanta oferta de material escolar: Sim, tive uma mochila, mas o meu caderno era de linhas normais. Não tive canetas coloridas para escrever, mas lembro-me do meu lápis de carvão da minha afia e da minha borracha. Não tive um iPad mas sabia brincar no recreio e sabia o nome de todos os meus colegas. O quadro da sala de aula tinha um giz branco e um azul e outro rosa e quando terminava ou partia, a professora pedia mais à funcionária que estava na sala de entrada.

Hoje em dia deveríamos ensinar as crianças a descobrir aquilo que realmente é essencial: as boas amizades que se criam; o respeito pelas pessoas mais velhas; o saber brincar e saber sujar-se; a aprendizagem com tempo, conta e medida. E para isto não é necessário um caderno com linhas próprias para desenhar as letras porque um caderno normal também serve. Não são necessárias canetas de todas as cores, porque o lápis de carvão é que permite errar e apagar. Não é necessário um iPad para passar o tempo porque jogar à bola, ao macaquinho do chinês ou à apanhada, ensina muito mais e é bem vais divertido.

Talvez todos nós conheçamos uma mãe Maria e um filho José.

E a todas as mães Marias e filhos José desejo um ótimo começo de ano letivo e que os sonhos de criança se tornem as realidades no primeiro dia de aulas. Afinal de contas, toda a gente anseia sentar-se ao lado do melhor amigo do infantário no primeiro dia de escola, não é?

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